O MUNDO NO FUTURO

SETI: reunião em Londres


O SETI (instituto para a busca de vida extraterrestre), sediado na Califórnia, pretende "perceber e explicar a origem, natureza e prevalência da vida no universo" e lançou na internet um apelo aos cidadãos para sugerirem mensagens a enviar para o espaço. O SETI é o interlocutor da discussão que começa juntar vozes de especialistas e leigos um pouco por todo o mundo: devem os humanos enviar mensagens para o espaço para tentar contactar outros seres do universo? Será que a Terra deve assumir um papel mais proactivo no contacto com prováveis mundos alienígenas?

O objectivo é "perceber o que as pessoas à volta do mundo gostariam de dizer a um extraterrestre, se é que querem dizer alguma coisa", explica ao i Douglas Vakoch, director do departamento de composição de mensagens interestelares do SETI. "A opção de escutar em vez de transmitir continua a ser a melhor abordagem para fazer contacto com outros mundos nos próximos anos. Mas, ao começarmos a planear os próximos 50 anos de actividade, temos de decidir se queremos enviar as nossas mensagens para o espaço em vez de ficar só a ouvir. E esta é uma decisão demasiado importante para ser tomada por um um grupo de cientistas", adianta o responsável.

Simon Conway Morris é um dos cientistas convidados para um encontro que começa hoje na Academia de Ciências britânica, em Londres, para discutir a detecção de vida extraterrestre e as suas consequências na ciência e na sociedade.

A sua comunicação tem o título "Prever o que será a vida extraterrestre - E estar preparado para o pior". "O meu principal argumento é que a evolução é muito mais previsível do que as pessoas pensam", explicou ao "The Sunday Times". "Diria que a emergência, através da evolução, de inteligência e capacidade cognitiva é inevitável" Marek Kukula, outro astrónomo que participa no encontro, acrescenta outra ideia: "Gostamos de assumir que se existe vida inteligente lá fora, é inteligente e benevolente. Mas claro, não temos a certeza", disse ao diário britânico.

O debate na The Royal Society será o ponto de partida para a discussão, estando marcado um encontro mais alargado de especialistas para Abril, no Texas.

A existência de mais de 400 planetas com órbitas à volta de outras estrelas que não o Sol é um facto estabelecido. É bom que exista um debate público vivo sobre a possível existência de vida extraterrestre. Lidar com as consequências de uma potencial descoberta de vida extraterrestre tem de ser um esforço global.

A 3 de Junho do ano passado, chegaram a ser detectados 8616 sinais para avaliação, mas nenhum se revelou positivo. Apesar de os cientistas relatarem uma frustração diária, quando já foram analisadas milhões de estrelas e frequências, acreditam que num dia como amanhã pode finalmente chegar correio.

O tempo em que, forçados por uma visão egocentrica e narcísica, acreditávamos que éramos os únicos seres inteligentes do Universo está a terminar, ainda que, por muitas centenas ou milhares de anos, nos mantenhamos isolados neste nosso pequeno planeta escondido num canto da Via Láctea.

Nelson S Lima: Numa altura em que até somos capazes de enviar sondas para estudar o Espaço e já estivemos na vizinha Lua, devemos ter uma visão do mundo (e do futuro) mais aberta e ambiciosa que nos permita aceitar como altamente provável que haja outras civilizações (de tipo humano?) algures no Universo, mesmo que não tenhamos nenhuma prova nem mesmo qualquer suspeita. Para tanto basta usarmos algo que em Ciência, às vezes, faz falta: humildade. Virtude que, aliada, a alguma inteligência e bom senso, permitir-nos-á afirmar que é altamente improvável não haver civilizações extraterrestres tal é a imensidão do Universo (mesmo aquele que já é relativamente conhecido), independentemente do tipo e do nível de desenvolvimento que esse nichos de vida inteligente possam apresentar.

Por detrás dos sentimentos que nos impelem a olhar para as estrelas e a interrogar-nos onde poderá haver seres vivos mais ou menos como nós, existe uma predisposição inata, ancestral, para a exploração do mundo para além dos horizontes que nos limitam a descoberta. Sempre foi assim em toda a história humana; é assim na história de cada um de nós, especialmente quando ainda crianças queremos desvendar e explorar o mundo à nossa volta.Um dia chegará o tempo em que talvez os tais povos algures no Espaço nos vejam chegar com as nossas naves. Não aconteceu qualquer assim parecida no nosso próprio planeta?

A paciência é também uma virtude que, neste tipo de tarefas, é necessário cultivar. Se ainda não se confirmou a existência de civilizações extraterrestres não é caso nem para frustração nem para suspeitarmos que não existem.O Espaço é imenso, muito mais do que imaginamos. Nós estamos escondidos num canto da nossa galáxia. E ocupamos um pedacinho de terreno quase invisível. Por outro lado, só há poucos anos começámos a pesquisar os céus de uma forma concertada. Nestas matérias não podemos esperar resultados em meia dúzia de décadas, até mesmo centenas de anos.Quando o tema é o Universo (ou o Mundiverso?) e a sua descoberta temos de pensar numa escala de centenas, de milhares ou de milhões de anos. Não somos nós uma espécie com apenas 150 a 200 mil anos de história? O que é isso na história do mundo? Apenas uma fracção de tempo. Há pois que continuar a pesquisa. Quer queiramos quer não é algo que faz parte do nosso destino. Basta espreitar os genes e perceber que tipo de seres vivos nós somos. Ou espreitar a nossa história.
Nelson S Lima
TeamSETI member

Visite o site do SETI Institute